31 de outubro de 2011

Os anos de ouro das Assembleias de Deus

Culto de Santa Ceia na antiga Assembleia de Deus no Campo de São Cristóvão-RJ, hoje ADMAF (Assembleia de Deus Missão Apostólica da Fé). Compõem a foto, pastores como Lawrence Olson (in memorian), Gesiel Nunes Gomes, Altomires Sotero da Cunha e Túlio Barros Ferreira (in memorian).
 Por Cleison Brugger

O que tenho sabido de pessoas querendo se desligar do rol de membros das Assembleias de Deus não está no gibi! dentre estas pessoas, há questões de todos os tipos: insatisfação, frustração, inadequação, perda de identidade, crise ou a simples procura de algo mais consistente ou, digamos, mais atraente. Não, não estou falando de novos convertidos. Estou falando de crentes que sentam nos bancos das Assembleias de Deus há, pelo menos, 10, 15, 20 anos. Crentes que conhecem bem o ministério em que estão, mas que não conseguem sair simplesmente pela afinidade que tem com os irmãos ou pelo amor que tem pela igreja. Uma característica positiva da Assembleia de Deus é que, na sua grande maioria, seus membros são fiés a ela, ou pelo menos eram. O que mudou?

É fato que a Assembleia de Deus cresce aos milhares todos os anos, contudo, boa parte dos novos membros que são adicionados são graças aos filhos dos crentes que, chegando aos 14, 15 anos, se decidem pelo batismo. Mas a bem da verdade, o número de membros das Assembleias de Deus está diminuindo. A Assembleia de Deus está perdendo seus membros, e não são para igrejas neopentecostais, mas na grande maioria, para igrejas históricas ou pentecostal monergista, como é o caso da Igreja Cristã Nova Vida. Os crentes estão procurando fora o que não acham (ou perderam) dentro. Esses dias, ouvi de uma irmã antiga de um ministério da Assembleia de Deus: "já não me sinto em casa neste ministério em que fui criada e que estou há tantos anos. Não me identifico mais com a igreja". Isso é realmente triste! a Assembleia de Deus é uma das ÚNICAS IGREJAS que consegue unir gerações e manter famílias por décadas, como é o caso da "família Malafaia", famosa pelo pastor Silas Malafaia, mas que já existia na AD muito antes de ele ser conhecido; a "família Nascimento", conhecida pelos grandes cantores que a compõem, a "Família de Paula" e tantas outras. O que houve? bem, creio ter algumas razões para este retrocesso:

1) Os cultos assembleianos não são mais os mesmos
Quem já participou de um culto em uma Assembleia de Deus na déc. 1970-80, não reconhece um culto assembleiano hoje. Havia uma valorização pelos hinos do hinário (a Harpa Cristã), uma importância era dada para o ensino e exposição das Escrituras, o Coral se apresentava, a banda ou a Orquestra também, os irmãos testemunhavam, era uma verdadeira festa na presença de Deus. Mas hoje, o hinário foi trocado pela "adoração" do Ministério de Louvor, o culto é cansativo pois dezenas de departamentos DEVEM cantar, são milhares de lembretes e avisos, ofertas para tudo e mais um pouco e um tempo mínimo para a Palavra, tempo este que o pregador quase nunca obedece e sempre passa do horário que o culto estava programado para terminar, que normalmente nas ADs, são às 21:00hs.

2) Cultos ao Ar Livre
Quem se lembra dos cultos ao Ar Livre, como eram chamados, que os irmãos faziam nas praças e calçadas? eu lembro e já tive a oportunidade de participar de muitos! parecia antiquado, mas pelo menos saíamos as ruas para propagar o evangelho. Diferente de hoje que, depois que construiram templos majestosíssimos, tudo o que o povo menos quer, é sair do conforto e alcançar o perdido onde ele realmente está.

3) Trocaram cultos apreciados pelos assembleianos, como os tradicionais "cultos de departamento", pelas "campanhas" e pelos "Culto de Libertação, ou da Vitória, ou do Milagre etc".
Quem lembra do "culto das crianças" ou do "culto da Mocidade" ou do "Culto da CIBE?" Eu adorava participar! se hoje desempenho algumas funções em minha igreja local, é porque aprendi quando criança nestes cultos abençoados. Mas, infelizmente, muitas igrejas trocaram estes cultos pelos "Cultos da bênção, da vitória, do milagre, da conquista, da libertação etc". A igreja vive em campanhas intermináveis! Infelizmente, é difícil, em nossos dias, passar em frente à uma Assembleia de Deus e não encontrar alguma faixa que anuncie alguma "campanha" ou algum "culto da Vitória" ou "do Milagre". Quem acostumou a comer bem, não comerá a miséria que hoje se tem dado.

4) Onde foram parar as vigílias?

Vigília. Esse era um dos cultos mais vibrantes nas Assembleias de Deus. Já perdi a conta de quantos cultos de Vigília já participei e de quantas madrugadas passei em oração e adoração com minha congregação local. Contudo, parece que as coisas mudaram, e para pior. Parece que alguns perderam o gosto pelas coisas de cima. Anularam as vigílias e ganhamos uma igreja fraquejante.

5) Pastores visitavam seus membros 
Era normal receber o pastor em casa. Isso começou desde muito cedo, ainda com Gunnar Vingren, Daniel Bérg e Nels Nelson. Eles visitavam seus irmãos e ovelhas, viam a situação de suas vidas, oravam com eles, aconselhava-os e faziam com que aqueles crentes se fortalecessem mais no Senhor e, no fluir disto, fossem bons crentes em suas igrejas. Mas, e hoje? muitos mal sabem o nome do pastor, simplesmente porque quando acaba o culto, ele corre para o seu gabinete ou para o seu carro importado. Visita no lar? bem, ligue para a secretaria e marque um horário com ele em seu gabinete, é a resposta que recebemos.

Você até pode dizer que estou sendo saudosista, e você não está errado! a Assembleia de Deus ainda possui em seu rol de membros, incontáveis senhores e senhoras da época de Paulo Leivas Macalão e Cícero Canuto de Lima. Qualquer mudança é fatal para eles! não quero dizer com isso que não devemos interagir com o nosso tempo, mas quero asseverar que os "bons contumes" devem permanecer nesta igreja que, outrora, era tão conceituada e tão amada pelos seus membros. Com muito lamento, sei que existem igrejas pelo Brasil completamente frias, paradas, que dormem. E, pouco a pouco, os crentes procuram outra casa espiritual, para que possam se refugiar. Há uma gama de crentes tristes, desanimados, sem o tão proclamado "fogo pentecostal" que arde em todo assembleiano. Isso não é culpa da igreja. Sem medo de errar, digo que isso é culpa da liderança, dos homens que sentam nas cadeiras do centro, nos púlpitos das ADs. Isso é culpa das brigas por ministérios, por presidência de convenção, da soberba de pastores, da imaturidade de líderes, do nepotismo que impera, da falta de discernimento espiritual. Liderança corrompida, corrói a doutrina e devasta a vida da igreja.

7 comentários:

Pastor Geremias Couto disse...

É, meu caro. É tudo isso e mais um pouco.

Na foto, reconheci dos outros personagens: Missionário Carlos Hultgren (atrás de Lawrence Olso) e Altomires Sotero da Cunha.

Vivi esse tempo!

Cleison Brugger disse...

Tinha a impressão de que era o pastor Altomires, mas não tinha certeza. O Miss. Carlos Hultgren eu não conhecia.

Abraços, pastor Geremias!

reflexçao pentecostal disse...

cinto muitas saudades pois frquetei fui menbro desta igreja de 1977 á 1992.

Mario Sérgio disse...

Realmente muita coisa mudou. O ministério anteriormente era sinônimo de sacrifício, mas hoje se tornou em um meio de vida e as igrejas são geridas como se fossem um simples negócio.

Abraço!

samuel disse...

Meu avô,Pr. Francisco Pereira foi pastor da antiga AD-S.Cristóvão, lamento que hoje não consigo encontrar nenhum registro de sua passagem por lá.Ainda bem que no Céu a história não é deletada. É tempo de resgatarmos "as dracmas perdidas"
Pr. Samuel Pinto (Benevides-Pa)

Cleison Brugger disse...

A paz, pastor Samuel! Que maravilha saber que você neto de um dos grandes pioneiros da Assembleia de Deus! Pastor Francisco Pereira do Nascimento é muito importante na história de Assembleias de Deus locais, como Belém-PA e São Cristóvão-RJ, bem como da Assembleia de Deus no Brasil. Infelizmente, muito da nossa história é esquecida, mas o Senhor não esquecerá de recompensar os seus com a "coroa da justiça".

Abraços fraternos!

Everton Vieira disse...

A paz do Senhor irmãos. É muito bom recordar os momentos memoráveis das antigas ADs do nosso Brasil. Mas o que faremos agora irmãos.
Pergunto se ficaremos apenas relembrando como os cultos eram bons e hoje não o são.

Tenho 20 anos e fico triste ao ver os irmãos mais antigos apenas se lamentarem pelos tempos que não voltam mais e por aquilo que não temso hoje. Mas isso pra mim não é suficiente, porque não quero viver a sombra de um passado que não vivi.

Não podemos nos conformar, mas crer e pedir...clamar a Deus para que derrame ainda um avivamento derradeiro nesses dias que precedem a volta do Senhor. Porque o nosso Deus não mudou e jamais mudará. Creio que o Espírito Santo está, como li certa vez em um livro muito antigo sobre o pentecostes, pairando sobre a igreja procurando um coração em que possa pousar.

Eu creio que ainda verei...e mais do que isso, participarei do grande mover que Deus ainda há de fazer em nosso meio, especialmente na nossa querida Assembleia de Deus, porque bem sei que ainda há os "sete mil que não se curvaram a baal" e que desejam ainda um poderoso avivamento , não apenas de glórias, profecias e línguas estranhas, mas também de amor ao próximo, amor pelas almas, retorno as escrituras e transformação de vidas.

Fiquem na paz do Senhor, e oremos todos juntos para que participemos também daquilo que Deus deseja fazer nesse nosso Brasil.

Everton Vieira
Assembleia de Deus em Parque Colúmbia, Rio de Janeiro.

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