17 de agosto de 2011

Uma crítica a hinologia pentecostal

por Cleison Brugger

Você sabe o que é ouvir uma música e se sentir mal? pois bem, é assim que eu tenho me sentido quando ouço algumas músicas pentecostais contemporâneas. Elas bajulam tanto o homem, que causam náuseas. Ultimamente, quando ouço algumas músicas pentecostais, faço a mesma objeção de Isaque: "onde está o Cordeiro?" (Gn. 22:7). Cristo, terminantemente, desapareceu da hinologia pentecostal.

O que temos tido em nossa hinologia, são músicas que apresentam um Deus "que serve", um que existe para a exaltação do homem e não o contrário. Um que sempre está "trabalhando" para beneficiar o homem, sendo Deus o "servo" e nós o "senhor"; um Deus megalomaníaco, que faz o possivel e o impossivel por amor aos seus filhos; um Deus "com pressa" de abençoar, que está sempre "à espera" do homem para que este deixe que Ele o use. Letras apresentando sempre o homem como "o campeão", "o vencedor", "o que está no palco humilhando o inimigo da platéia", quase um imortal. Enfim, antropocentrismo descarado. Fico pensando se, ao escreverem as letras dessas músicas, os compositores antes lêem a Bíblia ou algum livro de auto-ajuda ou, ainda, algum clássico de T.L. Osborn. Sem dúvida alguma, as músicas pentecostais contemporâneas são um reflexo direto dos púlpitos pentecostais: a valorização do hedonismo, da persona, do bem-estar em contraste com a glória e a beleza de Cristo e o evangelho.

Em questão de biblicidade e cristocentralidade nas músicas, perdemos feio para a hinologia adventista. Isso mesmo, adventista. Quem conhece ou já ouviu Coral UNASP, Prisma Brasil, Leonardo Gonçalves, Cânticos Vocal, Arautos do Rei e outros, sabe do que estou falando. Músicas com temáticas biblicocêntricas como a pessoa e a obra de Cristo, a centralidade da cruz, o sacrifício substitutivo de Cristo, a volta iminente de nosso Senhor, entre outras. Em outras palavras, completamente o avesso da hinologia pentecostal.

Então, eu, como um jovem de 19 anos, me pego sentindo saudades. Saudades de Victorino Silva, Ozéias de Paula, Matheus Iensen, Trio Alexandre, Josias Menezes e tantos outros que assumiram o compromisso de exaltar, com suas músicas, a pessoa bendita de nosso Senhor. Minha oração é que os cantores pentecostais de hoje possam olhar para trás e aprender com quem, de fato, sabia compor músicas, pois as de hoje, nada passam de escória e bajulação. E esta mesma oração serve para os pregadores que acham que o grito é essencial na pregação pentecostal. Olhem para trás e aprendam com os antigos mestres e vocês saberão o que é, de fato, pregar.

6 comentários:

Pastor Geremias Couto disse...

Essa é, infelizmente, a nossa hinologia de hoje, que não fica atrás das mensagens triunfalistas.

Ms quando vejo jovens como você não perco a esperança.

Avante!

NilmaBoston Rio Boston disse...

Cleison,

Sabia que eu tambem sinto esse mesmo saudosismo?

......................
(Mudando de assunto):
A proposito, onde esta os icons para poder-mos compartilhar os seus textos nas redes sociais?
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NilmaBostonRio
http://pt.gravatar.com/trendsbuzztweets
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Cleison Brugger disse...

De pleno acordo, pastor Geremias. E obrigado pelo apoio!

Grande abraço!

Cleison Brugger disse...

Que bom, Nilma! sei que não estou só!

Os icones para compartilhamento não estavam aparecendo pois o template, de alguma forma, os ocultava, mas como o template foi mudado, os ícones estão aí. Fique à vontade e obrigado pela ajuda.

Deus abençoe!

Mateus Borges disse...

discordo plenamente pois eu sou pentecostal e adoro louvar os hinos de adoração e os hinos pentecostais pois fala muito comigo , o povo pentecostal gosta de sentir a presença de Deus e também de orar seja em ou no monte diferente de vc vai orar que e melhor do que esta criticando os pentecostais.

Cleison Brugger disse...

Olá Mateus, obrigado pelo comentário.
Bem, sobre ser pentecostal e gostar de louvar hinos de adoração, estou contigo! Também gosto! Mas creio que o problema se encontra na sua afirmação: "os hinos pentecostais falam muito comigo" e "o povo pentecostal gosta de sentir a presença de Deus". O problema com a primeira afirmação, é que as músicas pentecostais contemporâneas investe tanto no bem-estar do homem, que acaba não investindo nada nos atributos de Deus e na pessoa de Cristo. Essas músicas "falam demais com a gente", mas não dialogam coma palavra de Deus e o sacrificio de Cristo.
O problema da segunda afirmação é que muitos cantores/compositores fazem música com o intuito de fazer o povo "sentir" alguma coisa, enquanto o propósito da música no culto não é fazer ninguém sentir nada, mas prestar adoração ao Senhor.

No mais, a paz.

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