12 de outubro de 2010

Variedade de línguas e profecia na igreja

Rev. Hernandes Dias Lopes
Referência: 1 CORÍNTIOS 14:1-40

INTRODUÇÃO
· John Stott, o maior exegeta do século XX afirma que os dons são atuais, contemporâneos, úteis e necessários, visto que Jesus não mudou. O grande problema é a polarização: carisma sem caráter (dons sem fruto), caráter sem carisma (fruto sem dons), credulidade infantil-racionalismo cético, cessacionismo-confusão.
· Neste capítulo 14 o apóstolo Paulo vai tratar fundamentalmente sobre dois dons espirituais: variedade de línguas e profecia.

I. O DOM DE VARIEDADE DE LÍNGUAS
1. O ensino de Paulo sobre o dom de variedade de línguas
1.1. Quem fala em outra língua fala a Deus e não aos homens – v. 2
1.2. Quem fala em outra língua não é entendido, pois fala em mistério – v. 2
1.3. Quem fala em outra língua edifica-se a si mesmo e não à igreja – v. 4
1.4. Quem fala em outra língua não se torna entendido, por isso não edifica – v. 5-11
1.4.1. O exemplo dos instrumentos musicais – v. 7 (produz harmonia)
1.4.2. O exemplo da trombeta convocando para a guerra – v. 8 (prepara para a batalha)
1.4.3. O exemplo da conversação interpessoal ininteligível – v. 9-11(produz edicação)
1.5. Quem fala em outra língua não entende o que fala – v. 13-15 – A mente é importante e Paulo diz que o crente precisa usar sua mente em cinco áreas: na oração (v.15), nos cânticos (v.15), na ação de graças (v.16-17), na instrução (v.19) e no juízo (v.20).
1.6. Quem fala em outra língua não pode edificar os outros – v. 16-17
1.7. A variedade de línguas não é para pregação – v. 18-19 “Mesmo quando há interpretação, não se muda a natureza das línguas. Continua sendo palavra do homem para Deus e não palavra de Deus para o homem (profecia).
1.8. O uso errado do dom de variedade de línguas escandaliza os incrédulos – v. 23
1.9. O uso do dom no culto público precisa ser com ordem – v. 27-28
1.10. O dom de variedade de línguas não deve ser proibido – v. 39
2. Erros relacionados ao uso do dom de variedade de línguas
2.1. Dar mais valor a este dom do que aos outros – v. 5
2.2. Pensar que este dom é prova de espiritualidade abundante – 1:7; 3:3; 13:1
2.3. Pensasr que este dom é o selo e a evidência do batismo com o Espírito – 12:13
2.4. Pensar que todos os crentes devem ter este dom – 12:30
2.5. Falar todos ao mesmo tempo em culto público – v. 27
2.6. Falar em estado de êxtase – v. 32
2.7. Falar em público sem interpretação – v. 2,5,9,11,13,16,27,28,40.
2.8. Pensar que a oração em línguas é superior à oração no vernáculo – v. 13-15
3. Recomendações do apóstolo sobre o dom de variedade de línguas
3.1. Não proibam que se fale em línguas – v. 39 – Paulo deu o seu testemunho pessoal (14:18). Só porque o dom está sendo mal usasdo, isto não significa que deve ser proibido. Os coríntios abusaram da Ceia do Senhor, mas a solução não foi deixar de celebrá-la. Dito isto, eles precisavam entender que “linguas” não era o melhor dom para edificar a igreja (14:19).
3.2. Em culto público, falar em línguas só com interpretação – v. 27-28 – A igreja de Corinto não tinha ordem no culto. Todos falavam ao mesmo tempo. As pessoas não entendiam e por isso não eram edificadas. Línguas tem três procedências: dom do Espírito; psiquê humana (extático), o diabo (1 Co 12:3).
3.3. Falar em línguas em particular tem o seu valor – v. 2,4,28

II. O DOM DE PROFECIA
1. O que é dom de profecia?
· Temos que fazer uma distinção entre o ofício de profeta no VT e NT com o dom de profecia hoje.
· Hoje não há mais profetas no sentido daqueles profetas primeiros, que se tornaram o fundamento da igreja (Ef 2:20), ou seja, instrumentos da revelação divina. O cânon da Escritura já está fechado.
· Hoje qualquer manifestação subsequente deste dom deve ser submetida à doutrina autorizada aos apóstolos e profetas (1 Co 14:37-38). BillybGraham fala: “Hoje Deus não revela mais verdade nova diretamente; a Bíblia tem uma capa posterior”.
· O dom de profecia é expor a verdade revelada de Deus conforme está registrada nas Sagradas Escrituras (Gl 1:8-9).
· O dom de profecia não está ligado a cargo ou posição. Todo crente pode profetizar (1 Co 14:1,5,31,39). Moisés também fez o mesmo (Nm 11:25-29).
2. O dom de profecia é segundo a proporção da fé
2.1. Esta fé é o conteúdo das Escrituras – Rm 12:6; 1 Pe 4:10-11; Judas 3
2.2. O dom de profecia precisa estar subordinado à autoridade apostólica – v. 37
3. Erros quanto ao exercício do dom de profecia
3.1. O dom de profecia não é extático – v. 29,31-33
3.2. O dom de profecia nunca é dado na primeira pessoa e sim na terceira pessoa. O profeta não fala “meu servo”, mas “assim diz o Senhor”.
3.3. O dom de profecia não está acima de julgamento da congregação – v. 29
4. O dom de profecia precisa ser provado
4.1. Glorifica a Deus? – 1 Pe 4:10,11
4.2. Está de acordo com a Escritura? – 1 Pe 4:11
4.3. Edifica a igreja? – 1 Co 14:3,4,5,12,17,26
4.4. O profeta se submete ao julgamento dos outros? – 1 Co 14:29
4.5. O profeta está no controle de si mesmo? – 1 Co 14:32
4.6. O que o profeta fala sucede 100%? – 1 Sm 9:6; Dt 18:22
5. Propósitos do dom de profecia
5.1. Fala aos homens para a edificação da igreja – v. 3-4
5.2. Edificação – ajuda a construir, levantar – não é profecia manipulativa, carnal.
5.3. Exortação – “paraclesis” – palavras que dão força à vida, encorajamento.
5.4. Consolação – acalma as tempestades do medo, ansiedade. Leva refrigério.
5.5. Produz convencimento de pecado – v. 24-25 – Julgado: o efeito da palavra profética é revelar ao homem o seu estado. Todo o seu interior é sondado e exposto. Aquilo que ele escondia no coração, vê reprovado e julgado e ele só pode atribuir isto à atividade de Deus. Reconhece Deus agindo na igreja.

CONCLUSÃO
· A conclusão deste capítulo pode ser sintetizada em três verdades básicas: 1) Edificação – v. 1-5,26b; 2) Entendimento – v. 6-25; 3) Ordem – v. 26-40.

Edificação – v. 1-5 – Paulo corrige os equívocos da igreja de Corinto que dava mais valor ao dom de variedade de línguas do que o de profecia; mais valor à edificação pessoal do que a edificação da igreja, mostrando que a profecia é superior às línguas. Paulo usa dois argumentos: Primeiro, profecia fala aos homens, línguas falam a Deus (1-3). As línguas não são usadas para pregar o evangelho. Uma pessoa não fala em línguas: “meu servo…”. Isso é adulterar o sentido das línguas. Segundo, profecia edifica a igreja, enquanto línguas edifica apenas a pessoa que fala (4-5).

Entendimento – v. 6-25 – Paulo quando fala de entendimento usa três ilustrações (6-11): instrumentos musicais, trombeta que convoca para guerra e conversação interpessoal. Depois Paulo faz algumas aplicações (12-25): 1) Para a própria pessoa que fala – v. 12-15; 2) Para outros crentes na assembléia – v. 16-20; 3) A aplicação final de Paulo é para os descrentes que vinham à assembléia em culto público – v. 21-25 – Aqui Paulo mostra mais uma vez a superioridade da profecia sobre as línguas. As línguas sem interpretação jamais podem trazer convicção de pecado aos pecadores. Em vez disso, se um incrédulo entrar na igreja e ver todos falando em outros línguas pode pensar que todos estão loucos.

Ordem – v. 26-40 – Há duas ordens que devem sempre vir juntas no culto público: 1) Seja tudo feito para edificação – v. 26b; 2) Tudo, porém, seja feito com decência e ordem – v. 40. A igreja de Corinto tinha sérios problemas com a ordem do culto (11:17-23). Eles estavam usando seus dons espirituais para agradar a si mesmos e não para a edificação de toda a igreja. A palavra chave deles não era edificação, mas exibição. Paulo então dá várias orientações de ordem à igreja: Primeiro, tanto o falar quanto o interpretar no culto público precisa ser feito com ordem (27-33). Onde o Espírito de Deus está agindo há auto-controle. Êxtase é evidência de que o culto não está sendo dirigido pelo Espírito Santo. Segundo, as mulheres não podiam quebrar a ordem do culto público (34-35). As mulheres oravam e profetizavam na igreja (11:5), mas no caso aqui as mulheres estavam importando suas atitudes das religiões de mistério e conversando durante o culto ou interrompendo aqueles que falavam com práticas extáticas. Terceiro, os crentes precisam estar alertas sobre o perigo de novas revelações que vão além da Palavra de Deus (36-40). Através destes versículos Paulo estava corrigindo aqueles crentes de Corinto que estavam dizendo: “Nós não precisamos da ajuda de Paulo. Não precisamos estudar a Bíblia. Não precisamos ter pastores formado nos seminários. O Espírito fala direto conosco”. Uma das marcas do verdadeiro profeta é sua obediência ao ensino apostólico.




“Não é lícito aos homens, nem mesmo aos anjos, fazerem, nas Santas Escrituras, qualquer acréscimo, diminuição ou mudança. Por conseguinte, nem a antiguidade, nem os costumes, nem a multidão, nem a sabedoria humana, nem os juramentos, nem as sentenças, nem editos, nem os decretos, nem os concílios, nem as visões, nem os milagres se devem contrapor as estas Santas Escrituras; mas, ao contrário, por elas é que todas as coisas se devem examinar, regular e reformar” (Artigo V da Confissão Reformada da França, adotada em 1559).

  
Fonte:  Palavra da Verdade - Site do Rev. Hernandes Dias Lopes, pastor da 1ª Igreja Presbiteriana de Vitória-ES.

5 de outubro de 2010

Salvador crucificado ou Cristo vivo?

por Jeff Purswell

O Salvador que nós adoramos e servimos de fato é um Salvador glorioso e elevado, sentado à destra de Deus (Colossenses 3:1) e sustenta todas as coisas pela sua palavra poderosa (Hebreus 1:3). Porém ele também é o servo sofredor que resgata a muitos por meio da sua morte (Marcos 10:45, ver também Isaías 53:10-11) e é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29). Um Jesus crucificado foi central à pregação de Paulo, que enfaticamente lembrava os Gálatas que “foi diante dos seus olhos que Jesus Cristo foi exposto como crucificado” (Gálatas 3:1). Foi justamente por Paulo ter ousadamente proclamado “Cristo crucificado” que o evangelho foi um escândalo (1 Coríntios 1:23)!

De fato, não podemos conhecer a Jesus corretamente sem a cruz, pois é por meio daquela morte macabra que sua identidade é revelada. (João 8:28, ver também 12:32, 34).

Algo profundo está em jogo aqui. Conceber Cristo à parte da Cruz é distorcer sua identidade e sua missão, da mesma forma que Pedro fez quando repreendeu Jesus por anunciar o que ainda havia de sofrer e morrer (Marcos 8:31-33). Podemos inferir a grandeza de Deus e o seu poder a partir da criação (Romanos 1:19-20) mas é na cruz que seu amor e misericórdia são completamente revelados. Nos novos céus e na nova terra nós iremos, sem dúvida, adorar a Cristo num silêncio abafado, à medida que contemplamos sua glória transcendente (Apocalipse 1:12-17), exaltando-o como o vitorioso Leão da tribo de Judá. Mas nós também cantaremos para sempre o louvor do Cordeiro que foi imolado, cujo sangue resgatou o povo de Deus (Apocalipse 5:6-10).

Como resultado, não devemos nunca deixar de contemplar Jesus como nosso Salvador crucificado, relegando a cruz ao passado. A cruz deve informar sempre a nossa compreensão de Cristo no presente, pois ela de fato fará isso por toda a eternidade.

Fonte: iPródigo | Original aqui

2 de outubro de 2010

Não faça de seu ministério um twitter

 por Cleison Brugger

É difícil encontrar alguém hoje que não tenha o famoso twitter. Esse @, precedido por um nome característico, faz com que milhares de pessoas limitem suas palavras e pensamentos a 140 caracteres.
No twitter, as coisas funcionam basicamente assim: quando uma pessoa posta (escreve) coisas legais e interessantes, ela começa a ganhar diversos seguidores (chamados pelo twitter de "Followers"), e quanto mais followers essa pessoa tiver, mais popular ela fica, e isso cria na pessoa um desejo obrigatório de postar todos os dias algo que seja relevante, para que seu número de seguidores continue a crescer e a pessoa se torne ainda mais popular. Isso é tão vicioso, que é capaz de afetar todo um cotidiano; estudos, horário, hora de alimentação e noites de sono, são algumas das coisas afetadas com isso.

Não muito diferente do twitter, muitos pastores tem levado seus ministérios por esse caminho. Homens que por ter uma boa palavra (retoricamente falando) ou uma boa mensagem (conteúdo), acabam atraindo para si, ou para suas igrejas, seguidores, que acabam por se espelhar naquele pastor e tê-lo em grande estima. Contudo, a popularidade acaba por afetar o ministério deste pastor, pois ele é convidado para pregar em outras igrejas, encontro de jovens, conferências, e se ele demorava 3 horas para preparar um sermão, agora ele está pregando sermões repetidos, pela falta de tempo para preparar um sermão, pois sua agenda está "lotada". Como ele não quer frustar seus seguidores fiés, acaba por falar alguns pontos idênticos ao encontro passado. Toda essa popularidade faz nascer uma faísca de orgulho, e essa faísca é o suficiente para a ruína de um ministério. Um grande inimigo do homem é o seu próprio eu!

Sua vida de oração também é afetada. Seus compromissos são tantos, que ele não mais tem tempo de ganhar algumas horas em oração. Seu tempo com sua esposa e filhos está tão limitado, que raramente param para fazer um culto doméstico ou para orarem juntos.

Parece que Deus está agindo em seu ministério; olha como sua agenda está cheia, olha quantos compromissos, olha quantos esboços! Em compensação, olhe para sua família, para sua vida de oração ou para o seu tradicional devocional às 7 da manhã. Se uma vida com Deus é afetada, as outras coisas não podem estar indo bem, por mais que aparentemente pareçam tranquilas.

Isso tudo levou o pastor John Piper a pedir uma licença de 8 meses de sua igreja, Bethlehem Baptist Church, para revisar sua vida, sua família e seu ministério. Ele mesmo disse em seu twitter pessoal (@JohnPiper): "Pedi para os nossos anciãos (presbíteros da Bethlehem Baptist Church) uma licença de 8 meses de ausência. Nenhuma pregação, sem livros, sem blogs, sem tweets". Que bela atitude! contudo, muitos pastores estão seguindo por este caminho, e enquanto suas mensagens são boas e relevantes, sua vida, sua igreja, sua família e sua devoção a Deus estão sendo afetados e isso não pode ser uma obra de Deus.