17 de agosto de 2010

Ó Senhor, faça o meu trabalho!

 por Cleison Brugger

Nestes últimos tempos, temos vivido uma completa inversão de valores, e temos visto os reflexos desta inversão dentro das igrejas evangélicas. Muitas delas tem sido indiferente, cômoda e negligente, quando o assunto é obedecer ao chamamento de Cristo. Por esta razão, os imperativos de Jesus Cristo, tem sido a cada dia mais, negligenciado. Isso se dá porque queremos mostrar ao mundo quão igual nós somos, enquanto, segundo Martyn Lloyd-Jones, "a glória do evangelho é que quando a igreja é absolutamente diferente do mundo, ela invariavelmente o atrai."

Ouvi estes dias, num CULTO DE MISSÕES, a seguinte oração feita por um pastor:
"- Senhor, nós queremos almas. Traga as almas até nós; não veio nenhuma pessoa à frente, porque ninguém convidou! Traga as almas até nós!". Como isso soou estranho para mim. Orar deste modo é como dizer a Deus: "Faça o meu trabalho, ó Deus! Deixe-me no meu comodismo! Permita-me exercer a indolência!". Ora, o que aconteceu com o imperativo de Cristo em Marcos 16.15? Relembremos a ordenança que Cristo nos deu: "E disse-lhes: IDE por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura." (Marcos 16.15). Isso parece claro para mim! Jesus falou isso com clareza, para que não restasse dúvidas. O certo seria a igreja sair e disseminar o evangelho de Cristo, e não Deus trazer "as almas" até nós, como se essa fosse uma tarefa para Ele realizar!

Temos vivido o tempo do "venha a nós". A oração do Pai-Nosso tem sido manipulada em razão de nossos supérfluos. Pessoas estão morrendo sem ouvir falar de Cristo, e nós estamos acomodados com os nossos supérfluos dentro de quatro paredes, e isso é completamente detestável. Estamos preocupados em "abrir células", estamos atarefados em "orar pedindo almas" e ainda temos o cinismo de dizer que Deus tem se agradado de nosso trabalho. Que trabalho? O que temos feito? Aliás, temos feito muita coisa, pena que nenhuma delas são as que Cristo nos mandou fazer.

A Bíblia diz: "Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? e como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés [pés para sair e anunciar, não mãos para pedir] dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem [se eles trazem é porque sairam para levar] alegres novas de boas coisas." (Romanos 10.14,15).

Isso é de difícil compreensão? Creio que não! Vamos parar de pedir para Deus fazer aquilo que Ele nos mandou realizar. Se apenas na oração estivesse a chave para ganharmos almas, Jesus nos teria salvo no Getsêmani, sem precisar ir ao Calvário. O nosso calvário é o mundo, vamos até ele!

15 de agosto de 2010

Não toque nos ungidos!

Aparência, popularidade, eloqüência, títulos, status, anos de ministério... Nada disso denota que alguém esteja sob a unção de Deus e imune à contestação à luz da Palavra de Deus. Muitos enganadores, ao serem questionados quanto às suas pregações e práticas antibíblicas, têm citado a frase em análise, além do episódio em que Davi não quis tocar no desviado rei Saul, que fora ungido pelo Senhor (1 Sm 24.1-6). Mas a atitude de Davi não denota que ele tenha aprovado as más obras daquele monarca.

Se alguém, à semelhança de Saul, foi um dia ungido por Deus, não cabe a nós matá-lo espiritualmente, condená-lo ao Inferno. Entretanto, isso não significa que devamos silenciar ou concordar com todos os seus desvios do evangelho (Fp 1.16; Tt 1.10,11). O próprio Jônatas reconheceu que seu pai turbara a terra; e, por essa razão, descumpriu, acertadamente, as suas ordens (1 Sm 14.24-29).

O texto de Salmos 105.15 em nenhum sentido proíbe o juízo de valor, o questionamento, o exame, a crítica, a análise bíblica de ensinamentos e práticas de líderes, pregadores, milagreiros, cantores, etc. Até porque o sentido de "toqueis" e "maltrateis" é exclusivamente quanto à inflição de dano físico.

É curioso como certos "ungidos", ao mesmo tempo que citam o aludido bordão em sua defesa quando as suas práticas e pregações são questionadas, partem para o ataque, fazendo todo tipo de ameaças. O show-man Benny Hinn, por exemplo, verberou:  
"- Vocês estão me atacando no rádio todas as noites. vocês pagarão e suas crianças também! Ouçam isto dos lábios dum servo de Deus. Vocês estão em perigo. Arrependam-se! Ou o Deus Altíssimo moverá sua mão. Não toqueis nos meus ungidos..." (citado em Cristianismo em Crise, CPAD, p.376). Isso é prova de um homem que não se garante na tal "unção", mas apela para os clichês extra-bíblicos e se apoiam na compaixão e defesa de seus ouvintes (ou fãs?) alucinados.

13 de agosto de 2010

Uma igreja aberta para o novo.

 por Cleison Brugger

Toda igreja que se preze tem divergências, sejam elas teológicas ou puramente ideológicas. Digo isso, pois já haviam divergências na igreja primitiva (Atos 15. 1,2), contudo, tais divergências não foram impecílios para o agir de Deus no seio de sua igreja, pois a essência da graça na vida da igreja supera toda e qualquer falha a nível humano.

Um sinal de que na igreja existe a plena atuação do Espírito Santo, é quando nela existe liberdade de expressão; uma igreja aberta para discussões teológicas ou até mesmo discussões de idéias afins, é uma real prova de que a mesma enseja soluções. A liberdade de discutir - concordando ou não - é sinal de que realmente somos irmãos e de que há liberdade entre nós.

Infelizmente, em alguns círculos evangélicos, existe uma não pequena discriminação, com o membro que tem uma opinião divergente da massa. Algumas igrejas são tão misoneístas (contrárias aquilo que é novo), que concentram seus ideais na cúpula eclesiástica. Tais igrejas mostram claramente que não provaram, muito menos vivem a liberdade que há em Cristo Jesus; nessas igrejas, os membros não tem a sadia liberdade de pensar, ponderar ou expressar suas opiniões, mas são manipulados, e assim, acabam infelizes, medrosos, sentindo-se culpados todas as vezes que pensam ou agem de forma diferente. Em tais situações, a vida deles se torna uma farsa, pois não é autêntica, nem cristã, nem desejável.

Infelizmente, muitas igrejas se tornam superficiais, porque não há abertura para o confronto ideológico. Um fato histórico que, para mim, mostra uma liberdade de expressão plausível, foi no início da déc. 10, com a chegada dos missionários disseminadores da doutrina pentecostal no Brasil, Daniel Bérg e Gunnar Vingren. A Igreja Batista de Belém-PA, aceitou (ainda que forçosamente) que alguns de seus membros aderissem a doutrina pentecostal, não sendo agressiva quanto à disseminação daquela "nova doutrina", mas respeitando a escolha que alguns de seus membros fizeram, ao aceitar aquela nova idéia vinda dos EUA; ao excluir os membros que aderiram ao pentecostalismo (o que foi perfeitamente claro), prosseguiu com sua linha tradicional, enquanto os membros excluidos começaram a caminhar os passos pentecostais. Isso é prova da atuação viva, eficaz e operante do Espírito Santo, na vida de sua igreja, pois onde Ele está, aí também há liberdade (2Co. 3.17).

Até mais...

Cleison Brugger.