8 de agosto de 2010

Lamúrias de um pentecostal biblicocêntrico.

por Cleison Brugger

Talvez alguns me considerem um anti-pentecostal, mas se for para concordar com as aberrações que tem norteado o arraial pentecostal, prefiro ser considerado assim.
Nos últimos anos tenho sido muito crítico; crítico pela leitura, crítico pela realidade que me perpassa, pois tudo o que vejo no meio da igreja pentecostal hoje é movimento, não avivamento.
A postagem abaixo mostra claramente como vão minhas discordâncias com as aberrações que, no seio de algumas igrejas, são consideradas "normais", afirmando que tais coisas são frutos da "unção do Espírito Santo."

Cinseramente, há um tempo eu me cansei. Cansei de meninices, cansei de infantilidades e atrocidades cometidas em nome de Deus. Cansei de ouvir: "-Eis que ELE manda dizer!", enquanto Ele, nada disse (Jeremias 23.21), e graças a Deus sei que não sou um crítico que só sabe falar mal das coisas, pois o Senhor está ao meu lado, pela sua Palavra que diz: "Portanto, eis que eu sou contra esses profetas, diz o SENHOR, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu companheiro. Eis que eu sou contra esses profetas, diz o SENHOR, que pregam a sua própria palavra e afirmam: Ele disse." (Jr. 23. 30,31).

Creio piamente, declaro aqui, nos dons sobrenaturais dados pelo Espírito Santo, como também creio no batismo no Espírito Santo; não sou um cético a este respeito. O que eu não consigo concordar, muito menos admirar são as "macaquices cristianizadas" que tem imergido no meio da igreja pentecostal; "há um pequeno avivamento acontecendo!", acreditam eles, mas tudo o que acontece não passa de coisas temporais e emocionalismos que se afloram nos momentos "de pico" no meio do culto, nada mais!

Estou cansado do "pegue na mão do seu irmão!", estou enfadado do "vire pro irmão que está ao seu lado!", estou enojado do "profetize para este crente que está à sua frente!", estou enfastiado com o "Deus vai mudar a sua história e vai te exaltar!", estou aborrecido com o "Abra esta boca de profeta e dê um grito de glória!", etc. Infelizmente, há muito, alguns cultos pentecostais tem se reduzido a isto!

Hoje ouvi dizer de uma "prega-dor (a)": "Quando eu vou numa igreja fria da vontade de sair correndo!" e ainda: "Estes crentes que não gosta de barulho não vão pro céu, porque lá é barulhada! Vá se acostumando crente!" .. e se há algum crente quieto no culto, prestando atenção na "pregação" (?), o indivíduo possuidor do microfone tem que lançar as piadinhas pentecostecas: "Não, porque tem crente que parece um picolé na igreja: gelado que só! Mais só tem o Espírito Santo que dá glória a Deus alto!" . O engraçado é que, saindo daquele culto, e passando um dia ou dois, nós vemos que TUDO o que alí aconteceu não passou de fogo de palha, pois não houve mudança, transformação, nem sequer arrependimento; Ora, cadê a igreja "quente" do domingo, do congresso, da conferência, da festividade? É triste ver como as pessoas ficam inflamadas no domingo, mas depois se transformam em cristãos invisíveis pelo resto da semana!

Nossas pregações não têm trazido libertação real, muito menos arrependimento ou uma real conversão; ao contrário, têm trazido mais infantilidade/imaturidade espiritual, mais movimento e mais pirotecnias que em nada edificam. Como disse Charles Spurgeon: "A pregação que deixa de fora a cruz é a chacota do inferno." e ainda: "O sermão que não conduz a Cristo, ou do qual Jesus Cristo não é a essência, é o sermão que faz rir os demônios no inferno". Existem diferenças entre o sensacionalismo e o poder de Deus: O primeiro apenas exalta as emocões; o segundo muda o caráter.

Estou cansado de tudo isto, e louvo cinseramente a Deus por estar cansado destas coisas, pois persistir em erros é ignorância. Somente oro para que o SOLA SCRIPTURA volte a ser primazia na igreja.

7 de agosto de 2010

A Assembleia de Deus e o movimento neoassembleiano

Imagem retirada do Portal CPAD NEWS, como também o texto abaixo transcrito, de autoria do pastor Ciro Sanches Zibordi.

Sou contra — por que a Palavra de Deus também o é — ao movimento neoassembleiano, que é experiencialista e prioriza manifestações como “cair no poder”, “unção do riso”, “unção do leão”, “unção da lagartixa”, além da ênfase exagerada à prosperidade financeira, que muitos chamam de uma “unção financeira dos últimos dias”.

Como tenho dito em meus livros editados pela CPAD, pessoas sinceras e tementes a Deus estão certas de que o “cair no Espírito” e a “unção do riso” são bíblicos. E algumas se apegam ao fato de manifestações similares às mencionadas terem ocorrido na Rua Azusa, em Los Angeles, no começo do século XX, e no início da Assembleia de Deus no Brasil. Mas é claro que as experiências relacionadas com o reavivamento do Movimento Pentecostal não se comparam com as aberrações que vemos hoje.

Naquela época, não havia paletó e sopro “ungidos”, empurrões “sutis”, uivos, rugidos, latidos, pessoas rastejando pelo chão, grudadas na parede, etc. Além disso, não se deve supervalorizar as experiências vividas pelos pentecostais do começo do século XX, a ponto de as equipararmos às incontestáveis verdades da Bíblia. Devemos, sim, respeitar os pioneiros, mas a nossa fonte primacial, precípua, de autoridade tem de ser a Palavra de Deus.

O “cair no poder”, a “unção do riso” e manifestações afins não se coadunam com os princípios e mandamentos contidos em 1 Coríntios 14. Essas manifestações aberrantes não edificam (v.12); contrapõem-se ao uso da razão, necessário num culto genuinamente pentecostal (vv.15,20,32); levam os incrédulos a pensarem que os crentes estão loucos (v.23); e promovem desordem generalizada (vv.26-28,40).

Muitos neoassembleianos, defensores dessas manifestações, dizem que estão na liberdade do Espírito, porém o texto de 1 Coríntios 14 não avaliza toda e qualquer manifestação. No culto genuinamente pentecostal deve haver julgamento, discernimento, análise, exame (vv.29,33). Por isso, no versículo 37, está escrito: “Se alguém cuida ser profeta ou espiritual, reconheça que essas coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor”. Leia também 1 Tessalonicenses 5.21 (ARA); João 7.24 e 1 João 4.1.

Não tenho dúvidas de que o Senhor opera milagres extraordinários em nosso meio. Ele é o mesmo (Hb 13.8). Mas o que temos visto hoje em algumas Assembleias de Deus são práticas viciosas e repetitivas. Jesus curou um cego com lodo que fez com a sua própria saliva, porém Ele não metodizou esse modo de dar vista aos cegos. A obra de Deus surpreende, impressiona, positivamente, e deixa todos maravilhados (Lc 5.26). As falsificações são viciosas, premeditadas, propagandeadas, a fim de que o milagreiro receba a glória que é exclusivamente de Deus (Is 42.8).

O “cair no poder”, a “unção do riso” e outros “moveres” não têm apoio das Escrituras e não podem ser equiparados ao batismo com o Espírito Santo, com a evidência inicial de falar em outras línguas, mencionado com clareza na Palavra de Deus (Jl 2.28,29; Mc 16.15-20; At 2; 10; 19; 1 Co 12-14, etc.). Por isso, os neoassembleianos recorrem a passagens que nada têm que ver com o assunto.

Citam textos como 2 Crônicas 5.14 e 1 Reis 8.10,11 e dizem, com a boca cheia: “Os sacerdotes não resistiram a glória de Deus e caíram no poder”. Que engano! Veja o que a Bíblia realmente diz: “E sucedeu que saindo os sacerdotes do santuário, uma nuvem encheu a Casa do SENHOR. E não podiam ter-se em pé os sacerdotes para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do SENHOR enchera a Casa do SENHOR” (1 Rs 8.10,11). Observe que eles saíram do local; não ficaram ali caídos. Não houve também um “arrebatamento em grupo”.

A frase “não podiam ter-se em pé” tem sido empregada de modo errôneo e abusivo pelos neoassembleianos. Eles a interpretam como “caíram no poder”. Mas ela, na verdade, denota que os sacerdotes “não puderam permanecer ali”, o que fica ainda mais claro na versão Almeida Revista e Atualiza (ARA). Eles não suportaram permanecer no local ministrando! Não tinham como resistir a glória divina presente ali. Por isso, não permaneceram no local. Onde está escrito que eles caíram no poder?

Outro texto citado erroneamente em abono às manifestações neoassembleianas é João 14.12, pelo fato de mencionar “coisas maiores” do que as realizadas por Jesus. Mas o termo “obras” (gr. ergon) significa: “trabalho”, “ação”, “ato” (VINE. W.E., Dicionário Vine, CPAD, pp.764,827), e não “milagres” ou “manifestações”, estritamente. Essas obras maiores incluem tanto a conversão de pessoas a Cristo, como a operação de milagres (At 2.41,43; 4.33; 5.12; Mc 16.17,18). Exegeticamente, são obras maiores em número e em alcance. Dizem respeito à quantidade em lugar de qualidade. João 14.12, por conseguinte, não avaliza truques, trapaças, experiências exóticas e antibíblicas, além de fenômenos “extraordinários” (cf. Dt 13.1-4; 2 Ts 2.9; Mt 7.21-23).

O paradigma, o modelo, dos pregadores da Assembleia de Deus deve ser o Senhor Jesus Cristo, que andou na terra fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do Diabo porque Deus era com Ele (At 10.38). É perigoso quando resolvemos ter um ministério “sem limites”, em que nada pode ser contestado, à luz da Bíblia. Tudo deve, sim, ser regulado, controlado pelo Espírito Santo e pela vontade de Deus esposada em sua Palavra (Mt 7.15-23; 1 Jo 4.1; 1 Ts 5.21; 1 Co 14.29; Jo 7.24, etc.).

Na Palavra de Deus não há nenhum fundamento para o “cair no poder” e outras aberrações. O Senhor Jesus nunca derrubou ninguém. Ele não arremessa pessoas ao chão mediante sopros “ungidos” e golpes de paletó. Quem gosta de lançar as pessoas ao chão é o Diabo (Mc 9.17-27). Em Lucas 4.35, está escrito: “E Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai dele. E o demônio, lançando-o por terra no meio do povo, saiu dele, sem lhe fazer mal”. Jesus, o maior Pregador que já andou na terra, e seus apóstolos nunca impuseram as mãos sobre pessoas para levá-las ao chão. Eles jamais sopraram sobre elas ou lançaram parte de suas roupas a fim de derrubá-las.

Considero importantes os milagres e as curas, no nosso meio, Mas, na hierarquização feita por Deus, o Ministério da Palavra tem prioridade (1 Co 12.28; Jo 10.41). Os sinais, prodígios e maravilhas devem ocorrer naturalmente, como consequência da pregação do Evangelho (Mc 16.15-20). E Deus precisa estar no controle, sempre. Mas hoje há muita imitação, falsificação, misticismo no meio dito assembleiano, que é na verdade neoassembleiano.

“Converte-nos, SENHOR, a ti, e nós nos converteremos; renova os nossos dias como dantes” (Lm 5.21).

Ciro Sanches Zibordi

30 de julho de 2010

A relevância da cruz

por Cleison Brugger

Para muitos, a cruz é apenas um símbolo que identifica o cristianismo; porém, a abrangência da cruz vai muito além dos limites simbólicos. A cruz não foi apenas um momento na história, mas um fato que marca, ainda hoje, a vida de todo aquele que recebe a Cristo Jesus como Salvador.
É impossivel lembrar ou falar de evangelho sem tocar na cruz; infelizmente, muitos são indiferentes a cruz, e assim, se igualam aos judeus e gregos, na qual a cruz era escândalo para um e loucura para outro (ICo. 1. 23).
 
Por isso, precisamos entender que o calvário, e consequentemente, a cruz de Cristo não foram uma fatalidade ou um acidente; essa foi a  vontade de Deus sendo efetuada através de Cristo Jesus. A vontade de Deus foi profetizada por Isaías (Isaías 53.10); no batismo de Jesus,  ouviu-se uma voz que dizia: "Este é o Meu filho amado, em quem Me comprazo" (Mateus 3.17; 17.5), ou, em quem me deleito, em quem me regozijo, em quem me agrado. Porque Deus Pai diz isso? Porque Deus Filho (O Messias, Cristo Jesus) estava cumprindo a Sua vontade com excelência. Por isso, o Calvário, não foi um acidente na história, mas sim, a vontade de Deus permissiva, absoluta e soberana sendo exercida.
 
Por fim, Cristo NA cruz não é vergonhoso! Existem pessoas que declaram que Cristo não está mais na cruz, e isto é óbvio; contudo, precisamos nos render ao momento único e o advento que nos trouxe redenção: Cristo NA cruz. Paulo pregava o período pré-crucificação (Vida de Cristo), o período pós-crucificação (ressurreição de Cristo), mas sua pregação baseava-se no evento mais importante: "Cristo CRUCIFICADO" (ICo. 1.23), pois para ele "o evangelho da cruz é o poder de Deus" (1Co 1.18) A cruz não é vergonha, nem motivo de ocultação, mas foi essa a vontade de Deus, em Cristo Jesus, para nós. 
  
Pouco antes de ser morto crucificado, o apóstolo André, ao ver a cruz, disse:"Ó cruz, extremamente bem-vinda e tão longamente esperada! De boa vontade, cheio de alegria e desejo, eu venho a ti, discípulo que sou daquele que pendeu de ti: pois sempre fui teu amante e sempre desejei te abraçar."

Que tenhamos este sentimento.

Graça à você.