10 de julho de 2009

10/07: 500 anos do nascimento de João Calvino


Há exatos 500 anos (10/07/1509), nascia em Noyon, na França, o reformador João Calvino. Igrejas reformadas do mundo inteiro celebram a data. Na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro (junto à Praça Tiradentes, Centro), celebraremos a data com a inauguração da Praça João Calvino pelo prefeito da cidade Eduardo Paes. Todos estão convidados.
O jornal do Vaticano, L'Osservatore Romano, elogiou nesta sexta-feira "a extraordinária" figura do protestante francês João Calvino (Jean Calvin, 1509-1564), "um cristão" que deixou "marca profunda na face da terra", escreveu.
O elogio a Calvino, o teólogo que durante a Reforma Protestante defendeu uma férrea disciplina chamada calvinismo, foi escrito pelo historiador Alain Besançon, por ocasião do 500 aniversário de nascimento do célebre pensador.
Segundo o jornal, "dois homens tiveram a força de mudar o destino europeu: Jean-Jacques Rousseau que transformou (com suas ideias) o século XIX e o XX, e Calvino, ainda mais".
O jornal do Vaticano sustenta que "a organização calvinista é uma genial criação", que soube "resistir a todas as mudanças e revoluções da modernidade" graças a sua "superioridade e eficácia, comparada ao rígido autoritarismo do mundo luterano".
Calvino nasceu no dia 10 de julho de 1509, na Picardia, norte da França e morreu em Genebra no dia 27 de maio de 1564.
O movimento calvinista conta, atualmente, 600 milhões de fiéis em todo o mundo.
Assim como seu contemporâneo Martim Lutero (1483-1546), a quem nunca conheceu pessoalmente, Calvino privilegiou a leitura bíblica, o desapego a bens materiais e a "saúde pela fé".
Em 1533, tornou-se adversário da Igreja Católica e condenou, assim como Lutero, o poder do Papa e dos concílios, assim como a confissão.
Sua obra-prima, "L'Institution de la religion chrétienne" (1536), A Instituição da Religião Cristã, preconiza um protestantismo rigoroso.
O chamado calvinismo, uma variante do protestantismo viria a ser bem sucedida em países como a Suíça (país de origem), Holanda, África do Sul (entre os africânderes), Inglaterra, Escócia e Estados Unidos da América.
Foi batizado com o nome de Jean Cauvin. A tradução do nome de família "Cauvin" para o latim Calvinus deu a origem a "Calvin", pelo qual se tornou conhecido.
Vítima das perseguições aos protestantes na França, fugiu para Genebra em 1536, onde faleceu em 1564. Genebra havia se tornado, definitivamente, um centro do protestantismo europe.
Martinho Lutero escreveu as suas 95 teses em 1517, quando Calvino tinha oito anos de idade.
Segundo o historiador de religiões Odon Vallet, é difícil hoje em dia dizer "quem é calvinista e quem não é". Destaca que os anglicanos foram influenciados ao mesmo tempo por Calvino e pelo catolicismo, enquanto que entre os evangélicos, há uma parte "histórica" calvinista.

Síntese do Precursor da Doutrina Predestinação

1509 - Nasce em Noyon, na Picardia, (próximo a Paris), no dia 10 de julho. Seu pai, Gérard Cauvin, era secretário do bispado de Noyon.
1521 - Aos 12 anos, devido à influência que seu pai tinha, passou a receber alguns cargos eclesiásticos na região.
1523 - Ingressa na Universidade de Paris.
1528 - Forma-se em Filosofia e Dialética na Universidade de Paris. Aos 19 anos recebe o grau de mestre em Teologia.
1528 - Na Universidade de Orléans, França, começa a estudar Direito.
1529 - Muda-se para a Universidade de Bourges, França, onde inicia também os seus estudos de Grego.
1531 - Forma-se em Direito pela Universidade de Bourges.
1531 - Perde seu pai, que falece neste ano.
1531 - Estuda grego e hebraico no Colégio da França.
1532 - A publicação de seu Comentário ao Tratado de Sêneca sobre a Clemência, em abril, já era um indício de que sua conversão estava iminente.
1532 - Converte-se à doutrina protestante.
1533 - Começa a defender os protestantes contra a Inquisição.
1533 - Em 1° de novembro, Cop profere seu discurso de posse como reitor da Universidade de Paris. Cop recebe ajuda de Calvino para escrever o discurso, que continha idéias de Erasmo e Lutero.
1533 - Esconde-se junto com Cop em Angoulême, França, fugindo do rei Francisco I, opositor de todos os simpatizantes de Lutero.
1534 - Em 4 de maio chaga à Noyon afim de renunciar aos benefícios eclesiásticos que detinha. Ao chegar na cidade é preso.
1536 - Novamente é preso por pregar doutrinas do protestantismo.
1536 - Breve passagem pela côrte de Ferrara, Itália, onde tenta converter sua compatriota, a Duquesa Renata.
1536 - Fugindo da Inquisição Católica, se estabelece em Genebra.
1538 - Junto com Farel, é expulso de Genebra acusado injustamente de arianismo. Se estabelece em Strassburgo, na França (divisa com a Alemanha).
1541 - O partido de seus amigos assume o poder em Genebra. Volta à cidade e assume o poder em 13 de setembro.
1541 - Estabelece uma nova Constituição, as chamadas Ordenanças Eclesiásticas, onde redefinia a ordem de poder na Igreja Suíça.
1551 - Sofre oposição de Bolsec, que afirma:"a teoria da predestinação é falsa". Ele é expulso de Genebra, volta para a Igreja Romana e escreve uma biografia caluniosa de Calvino.
1553 - Ordena a morte de seu opositor, o espanhol Miguel Servet, que morre queimado.
1555 - Todos os calvinistas são excomungados do catolicismo.
1559 - Funda a Universidade de Genebra.
1564 - Morre no dia 27 de maio, aos 55 anos.

Muito valorizado por seus pensamentos e escritos, foi considerado por homens como Jacobus Arminius:
Depois da leitura da Escritura, a qual ensino, inculcando tenazmente, mais do que qualquer uma outra… Eu recomendo que os Comentários de Calvino sejam lidos... Pois afirmo que, na interpretação das Escrituras, Calvino é incomparável, e que seus Comentários são para se dar maior valor do que qualquer outra coisa que nos é legada nos escritos dos Pais — tanto que admito ter ele um certo espírito de profecia, em que se distingue acima dos outros, acima da maioria, de fato, acima de todos”.

1 de julho de 2009

Obreiros no anonimato...




Como reagiria o seu coração se pudesse alcançar os propósitos de Deus e descobrisse que o lugar que ele lhe reserva é nos bastidores, atrás das cortinas? Estaria pronto — mais que isso, alegre — para dedicar-se nos bastidores? Seria capaz de alimentar seu espírito tão somente com a aprovação de Deus, sem nunca relatar aos outros suas ofertas, as madrugadas de oração ou mesmo o serviço despendido?

Essas difíceis respostas nos revelarão para quem trabalhamos, a quem servimos, se ao Senhor ou à igreja. A forma como reagimos ao destaque que nos dão — ou não — também é um bom indicador.Quando de fato servimos ao criador, importa-nos sermos úteis; vale mais ouví-lo que falar, estamos satisfeitos em ser servos. Se o nosso coração é grato ao Senhor, o serviço que desenvolvemos é a oferta, o tempo que gastamos com o aflito é investimento; as horas de oração são instrução. Alegramo-nos com o crescimento do Reino, a despeito de quem esteja sendo destacado; exultamo-nos com as bênçãos do outro, mesmo que ninguém tenha nos notado…

Como Belém ou Nazaré, pequena e discreta, mas imensa em valor para os propósitos de Deus, estejamos eu e você dispostos à doação anônima, ao serviço desinteressado, a nos dedicar por gratidão. Afinal, nossa coroa já foi conquistada, nosso Mestre morreu servindo e nos garante que no céu, o maior é aquele que servir o menor.

João 3. 30:
"Ele tem de ficar cada vez mais importante, e eu, menos importante."
Versão NTLH

..."É necessário que ele cresça e que eu diminua"
Almeida Revista e Corrigida


Em Cristo,

Cleison Brügger de Oliveira.

20 de junho de 2009

A IGREJA DO FUTURO....

Ano de 2025. O culto das 18 horas vai começar numa mega-igreja dentre muitas que se espalham pela cidade. A grandiosidade e beleza do templo confundem-se com os modernos shoppings. Dentro há grandes lojas, academia para os fiéis, salas de jogos e restaurante. O culto pode ser assistido de qualquer lugar da catedral, até mesmo da sala de jogos virtuais freqüentada pelos adolescentes. Finos telões de plasma espalham-se por salões climatizados e poltronas confortáveis.

As pequenas congregações quase desapareceram, pois estas, sem recursos, não oferecem comodidade aos novos crentes, nem estacionamento ou berçários com monitoras treinadas, nem cartões de fidelidade (na verdade, um chip implantado no dorso da mão) com grandes descontos nas lojas que levam a griffe da denominação. Noto que quase ninguém se conhece, e isso parece não ter muita importância, pois, afinal, é um lugar de grande concentração, e os evangélicos agora são maioria da população.

Também percebo que não trazem a bíblia, pois segundo um dos frequentadores, depois que os Anjopóstolos (é o título atual) escreveram e-books explicando os principais tópicos da bíblia, de forma que não desse mais margens à dúvidas, ela se tornou um tanto obsoleta, embora haja exemplares expostos no Museu da igreja para quem deseja vê-las.
Outro motivo para deixarem a Bíblia de lado é que o povo já há muito tempo vinha clamando por novas visões – e não mais as antigas – que “já não têm mais sentido num mundo tão avançado”, disseram.

Vi algumas inovações: a ceia é servida em um kit embalado com pão e vinho para ser tomado a qualquer momento pelo fiel. Explicaram-me que não era mais possível partilhar da forma da Igreja primitiva, embora, estranhamente, ainda a chamem de “Comunhão”, o que achei engraçado. Na hora das ofertas ninguém sai de seu lugar, mas aperta algumas senhas num pequeno palmtop que todos recebem ao entrar. Senti saudades de quando era criança e íamos todos cantando ao altar levar algumas moedas ao gazofilácio.

O líder-mor começará a falar. Ele é muito carismático e agradável. Fala de forma mansa, mas incisiva. Sua fama cresceu muito desde que fez inúmeras curas e milagres “via internet” diante dos olhos de todo o mundo. Ele é confidente de vários chefes de Estado, e viaja constantemente a pedido deles.

Fiquei curioso se nunca questionaram sua autoridade. Disseram-me: ora, se um ministério cresce tanto e alcança escala mundial, só pode ser de Deus – e só os invejosos é que são contra, e ademais, os milagres que ele faz são inquestionáveis, conforme o mundo inteiro comprovou.

Perguntei se havia muitas conversões e o meu interlocutor olhou-me espantado. Não chamamos mais de conversão – disse-me ele – agora falamos em adesão! Conversão é muito impositivo para esta época e invade a privacidade: as pessoas a-d-e-r-e-m ao nosso movimento, para alcançarem os desejos de seu coração, e isso basta.

Começo a observar os fiéis: parecem todos muito uniformes, enquadrados, ouvem sem questionar, não conferem nada na Palavra, que lhes é obscura. Não vejo alegria genuína, mas antes, um olhar vago e distante. Fazem marchas e passeatas com palavras de guerra espiritual nos lábios. Exaltam seus lideres, quase numa atitude de adoração. Noto que alguns jovens mais afoitos têm o nome deles gravado na testa para demonstrar fidelidade.

De um grupo que conversava só ouvi superficialidades e um linguajar desprovido de reflexão, cada um querendo contar que novo artigo havia pedido a Deus de presente. Ficou patente para mim que não há mais sentido explicar ali que há um céu que aguardamos ou que somos peregrinos na terra, pois a igreja promete o céu inteiro agora. Ainda caçoaram: “Ora, aqui ninguém fala, Maranata Vem Jesus!”.

Indaguei sobre a Escola Bíblica Dominical, mas poucos sabiam do que se tratava. E quem sabia, disfarçava um sorriso, dizendo que já não era mais necessária, pois tudo o que precisavam saber, o Espírito Santo revelava através da cobertura de seus “conselheiros espirituais”.

Todos estavam eufóricos pois foi eleito o nosso primeiro presidente evangélico. Ele costuma tomar o avião presidencial e do alto derrama óleo para ungir a nação e profetizar prosperidade. O Congresso também é dominado pelos evangelicals, pois ficou fácil conquistar votos nas igrejas desde que o catolicismo deixou de ser maioria. Nunca houve tanto nepotismo e corrupção, mas os deputados insistem que tudo não passa de perseguição satânica com o propósito de destruir a Igreja.

Reconheci entre os “Anjopóstolos” nomes de homens e mulheres que foram presos no passado, mas agora eram vistos como “mártires”, embora não tivessem morrido, e nem exatamente sofrido por causa da fé.

As pessoas passam umas pelas outras; não se olham nos olhos, não se abraçam, não há o ósculo tão característico da igreja cristã, são multidões, e percebe-se que não há intimidade, comunhão ou interesse pelo outro. Deus existe só para suprir seus caprichos infantis, a Graça foi enterrada e a “meritocracia” entrou em seu lugar. Compreendi, então, porque Jesus disse que “por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos”.


Comecei a me indignar e revoltar contra a cegueira do povo e contra o espírito do anticristo ali dominante, quando de súbito acordei suando e gritando “o que fizeram com a Igreja?... o que fizeram com a Igreja?”. Felizmente, tudo não passou de um pesadelo, sem base real. Como ainda era madrugada, liguei a TV para assistir a uma pregação evangélica, e me acalmar.

"MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;" (I Timóteo 4 : 1).

"Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados." (II Coríntios 13 : 5)