22 de abril de 2009
Aprendendo a amar a dádiva da Igreja
Imagine a apreensão de Israel durante a consagração dos levitas e do seu serviço no tabernáculo. Esta foi a primeira vez que Israel juntou-se como uma assembléia para sacrificar ao Senhor após o incidente do bezerro de ouro, Êxodo 32. O Senhor consumiria as ofertas no altar do tabernáculo após a edificação pecaminosa daquele outro altar? A glória do Senhor apareceria para todo Israel como havia aparecido a Moisés? Seria o terrível pecado de Israel um obstáculo grande demais para a aparição gloriosa do Senhor em meio a seu povo escolhido? Aparentemente não. Pois o Senhor consumiu as ofertas no altar e a Sua glória apareceu para todo Israel. O povo viu. Eles gritaram. E prostraram-se sobre seus rostos.
Naquele momento, Israel foi tomado por algo que a Igreja, hoje tem tido como certo, isto é, a gratuidade da presença de Deus. Muitas vezes esquecemos-nos das imagens dos Evangelhos que falam do preço inestimável que foi pago por nossa readmissão à presença divina: o escurecimento dos céus, o tremor da terra, o rasgar do véu, e o clamor apaixonado de nosso Salvador. Deus literalmente moveu os céus, e a terra para dar Seu Filho, de tal forma que pudéssemos nos deleitar participando de Sua glória, que será totalmente nossa no novo céu e na nova terra.
A gratuidade da presença de Deus, contudo, não vem sem uma parcela de responsabilidade. Pois quando Deus nos purificou de nossos pecados pelo sangue de Cristo, para que pudéssemos desfrutar da sua gloriosa presença, Ele também nos fez em um reino de sacerdotes, para o seu serviço e glória, Apocalipse 1.5-6. As repercussões deste ato são duplas: primeiro, a adoração não é algo que consumimos para preencher o vazio em nossos corações. De fato, a adoração é a ocasião em que oferecemos nossas vidas, como sacrifício vivo para Deus e assim somos consumidos por sua glória, tendo os desejos dos nossos corações transformados pela beleza e majestade de Deus. Em segundo lugar, o contexto da adoração – a Igreja – não deveria ser visto como um projeto sociológico, no qual experimentamos nossos diversos talentos e dons. Na verdade, a Igreja é uma dádiva divina, o corpo criado pela proclamação da Palavra e ajuntado pelo Espírito, que dá dons à Igreja para que sejam usados no ministério e no serviço.
A Igreja, portanto, não é algo que possamos experimentar de acordo com nossos gostos e preferências, procurando pela comunidade que melhor responda a nossos interesses e desejos. De fato, a Igreja é onde encontramos a presença transformadora de Deus, onde rendemos nossos corações e mentes com seus gostos, preferências interesses e desejos como instrumentos nas mãos de Deus para alcançar seus objetivos.
A mera existência da Igreja, é claro, nasce da graça e da bondade de Deus. Sendo assim, contemplemos esta dádiva, proclamemos com gritos de alegria e de adoração e nos prostremos humildemente, diante da gloriosa aparição de nosso Senhor.
John McAlister é arcediago na Igreja Pentecostal de Nova Vida – Catedral, organizada pelo seu avô Bispo Roberto McAlister e atualmente liderada pelo seu pai Bispo Walter McAlister Jr. Ele é Mestre em Teologia pela Wheaton College desde dezembro de 2005."
6 de abril de 2009
Perdão, o que é isso? Um dom ou um dever?

“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6.14, 15)
Perdoar é um indicador da nossa compreensão do amor de Deus por nós (Colossenses 3.13b); Perdoar é tomar a decisão de não levantar mais a ofensa perante três pessoas: Deus, os outros (inclusive o ofensor), e eu mesmo; Perdoar é uma questão de obediência a uma ordem do Senhor (Efésios 4.32; Lucas 17.3-10); Perdoar é uma reação positiva para com a ofensa, ao invés de uma reação negativa para com o ofensor. Uma reação positiva significa olhar aquela ofensa como oportunidade para crescer na vida e/ou para refletir as qualidades do caráter de Cristo para com o ofensor. Ao perdoar, podemos ver o ofensor como instrumento de Deus em nossas vidas (Gênesis 50.15-21).
Perdoar é reconhecer que só Deus tem o direito de julgar (Romanos 12.19). Perdoar é banir do coração, todo o desejo de vingança, todo apetite rancoroso, em face do grande amor que reina sob o comando de Cristo Jesus. Perdoar é ter as emoções conquistadas. Quando todos da família podem dizer: “Nossa casa é um lugar de perdão”, aí, o processo de comunicação construtiva não para. O perdão é o que mantêm as pessoas conectadas apesar das divergências.
Diretrizes para desenvolver uma comunicação construtiva:
Ouça sempre antes de responder (Provérbios 18.13); Aprenda a arte de ouvir.
Não seja apressado no falar, mas fale de tal forma que seja possível compreender e aceitar o que você está dizendo (Provérbios 15.13, 28; Tiago 1.19).
O Silêncio pode frustrar o seu cônjuge, por isso, não use essa arma. Explique porque você não quer falar no momento.
É possível discordar sem se envolver em brigas (Provérbios 17.14; Romanos 13.13; Efésios 4.31)
Não responda com raiva. Use a resposta branda e bondosa (Provérbios 14.29; 15.1; 25.15; 19.11; Efésios 4. 26,31)
Quando se perdoa, nunca se diz: “Eu te perdôo, mas...”, lembre-se que perdoar não é apenas desculpar o erro.
Perdoar não é algo tão simples como alguns pensam; é uma atitude que envolve a alma. Perdoar não é apenas ignorar o incidente. Não adianta jogar o “lixo emocional” debaixo do tapete, porque chegará um momento que isso vai se tornar insuportável. Não é simplesmente esquecer. Fazer de conta que não aconteceu nada, é enganar a si próprio e fazer do coração uma vasilha de sentimentos negativos transformando-o em uma bomba relógio, a qualquer momento isso pode explodir.
“Se quiseres ser feliz por um momento, vingue-se. Mas se quiseres ser feliz por toda a vida, perdoe!
Tertuliano, um dos Pais da Igreja Cristã
Que o Senhor nos abençoe e nos ensine a perdoar!
Por Cleison Oliveira.
7 de março de 2009
Os avivamentos através da história
Autor: Antonio Gilberto, consultor doutrinário da CPAD
Deus é infinitamente poderoso para ainda hoje derramar sobre nós o seu Espírito como um rio transbordante, da mesma maneira como fez no passado.
IRINEU (130-200dC), bispo de Lyon, na Gália.
Declarou que no seu tempo muitos cristãos falavam línguas estranhas pelo Espírito e tinham dons, inclusive o de profecia. Irineu foi discípulo de Policarpo, bispo de Esmirna, que, por sua vez, fora discípulo de João, o apóstolo.
JUSTINO MÁRTIR (100-165dC).
Nasceu na Palestina, converteu-se em Éfeso e morreu em Roma. Nos seus escritos, mencionou os dons espirituais em evidência nos seus dias, inclusive o dom de línguas estranhas pelo Espírito Santo.
ORÍGENES (185-254dC), teólogo de renome.
Afirmou que os dons espirituais, inclusive o de línguas, eram um facto notório nos seus dias.
CRISÓSTOMO (347-407dC), patriarca de Constantinopla.
No sentido eclesiástico oriental, o termo “patriarca” designa um bispo investido de prerrogativas e precedências especiais. Crisóstomo relatou um caso em que três membros da sua igreja falaram pelo Espírito Santo em persa, latim e hindu.
AGOSTINHO (354-430dC), bispo de Hipona, no Norte de África.
Deu testemunho de que as línguas estranhas estavam em evidência no seu tempo.
WALDENSES e ALBIGENSES (1140-1280dC).
Isso no Sul da Europa, em plena Idade Tenebrosa – a Era Medieval. Eles eram dissidentes da Igreja Romana, seguidores dos princípios bíblicos da salvação e da vida cristã em geral. Os historiadores afirmam que entre eles havia manifestações espirituais em línguas estranhas, segundo o Novo Testamento.
LUTERO (1483-1546).
Falava em línguas e profetizava, conforme depoimento histórico do Dr. Jack Deer, eminente professor e historiador baptista, do Seminário Teológico de Dallas. Essa informação também é encontrada nas obras História da Igreja Alemã, de Souer (volume 3, pág. 406) e Pentecostes para Todos, de Emílio Conde, pág. 88.
ANABAPTISTAS da Alemanha (1521-1550).
Havia entre eles manifestações do Espírito, inclusive dons espirituais e línguas estranhas, como regista a história.
HUGUENOTES (1560-1650). Eram, na França, protestantes, dissidentes quanto à forma de governo da época, no respeitante à liberdade religiosa. O historiador A. A. Boddy assim escreveu: “Durante a perseguição dos huguenotes, a partir de 1685, havia entre eles os que falavam em línguas, transbordantes de fervor espiritual”.
QUAKERS (1647-1650) e os SHAKERS (1771-1774).
Eram cristãos organizados em grupos distintos, no Nordeste da América do Norte, região da Nova Inglaterra. Dos Quakers (tremedores) e Shakers (puladores), diz a obra História da Igreja, de Philip Schaff, edição de 1882, que entre esses grupos havia manifestação de dons espirituais, inclusive línguas estranhas.
METODISTAS primitivos. Líder: João Wesley (1703-1791), inglês. O historiador Philip Schaff, na sua História da Igreja, edição de 1882, relata que esses metodistas pugnavam por uma vida santa e muitos tinham dons espirituais e falavam línguas. O movimento avivalista metodista começou em 1739, em Londres. Foi no Metodismo que teve maior expressão e vulto o Movimento da Santidade, na América do Norte, entre determinadas igrejas tradicionais, após o início do século XIX, do qual, quase um século depois, surgiu o atual Movimento Pentecostal.
IRVINGISTAS. Líder: Edward Irving (1822-1834), presbiteriano, da Igreja Escocesa de Londres. Irving testemunhou, entre outros factos, que, em 1831, uma irmã solteira, por nome Hall, cheia do Espírito Santo, falou em línguas num culto de oração. A Igreja Presbiteriana local, forçou o pastor Irving a renunciar ao seu pastorado por causa do avivamento que estava ocorrendo e seiscentos membros da igreja da Regent Square, de lá saíram com aquele pastor. Isso também está averbado na obra citada acima, de Schaff.
D. L. MOODY (1837-1899), poderoso evangelista e avivalista norte-americano. Ele era baptista e pregava a salvação em Cristo de modo diferente e objectivo. Pregava a plenitude do Espírito Santo e uma vida cristã cheia do poder do alto. Acerca da sua marcante cruzada cristã evangelística de Londres, em 1873 escreveu Robert Boyd: “Moody pregou à tarde no Auditório da Associação Cristã de Moços, em Sunderland. Em pleno culto houve manifestação de línguas estranhas e profecia. O fogo espiritual dominava o ambiente” (Moody and Sankey in Great Britain, 1875). Há muitos outros exemplos de que, ao longo da história, o Espírito Santo vem sendo derramado sobre aqueles que o buscam. A mundialmente conhecida e respeitada Enciclopédia Britânica, declara: “A glossolália (o falar noutras línguas) esteve em evidência em todos os avivamentos da história da igreja” (volume 22, pág. 282, ano 1944).
O declínio espiritual da igreja
A igreja do primeiro século, pelo poder do Espírito Santo, tornou-se uma força invencível para levar o Evangelho de Cristo aos lugares mais remotos da Terra e conquistou almas para Deus em todos os locais do poderoso Império Romano, até no palácio do imperador César, como se lê em Filipenses 1:13 e 4:22. No fim do primeiro século, a espiritualidade da igreja já havia arrefecido (Apocalipse 2:4,15,20; 3:16-18). Era tão decadente o seu estado que, para cinco das sete igrejas locais mencionadas em Apocalipse 2 e 3, a mensagem do Senhor foi: “Arrepende-te” (2:5,16,22;3:3,19). Nos dias do imperador Constantino, já no quarto século, a igreja foi tutelada pelo Estado, ganhando muita fama. Mas isso fê-la perder espiritualidade e poder. A decadência continuou até que ela se transformou numa organização humana na Idade Média (500-1500dC), em vez de ser um organismo divino, como Corpo de Cristo, como revela o Novo Testamento. Como já vimos, Martinho Lutero foi um homem que experimentou a presença poderosa do Espírito Santo. Deus levantou esse baluarte cristão, por quem a doutrina bíblica fundamental da justificação pela fé foi restaurada à igreja. Lutero foi o instrumento de Deus para desencadear o Movimento da Reforma Religiosa em 1517.
Outros movimentos avivalistas que se seguiram foram pelo Senhor usados para o retorno de outras doutrinas essenciais, como:
a) O avivamento liderado por Wesley – A doutrina da santificação.
b) Os morávios – As missões.
c) O Exército de Salvação – A evangelização e a acção social da igreja.
d) O Movimento Pentecostal – A dotação de poder do alto, mediante o baptismo no Espírito Santo, com a evidência física inicial no falar noutras línguas pelo Espírito, como ocorreu quando o Senhor Jesus baptizou os salvos pela primeira vez, em Jerusalém (Atos 2:1-4). Um exame da história, do ponto de vista religioso, mostra que os trinta anos que precederam o século XIX (1870-1900) foram, na igreja cristã em geral, de declínio espiritual, de disputas teológicas acirradas e vazias, de enfraquecimento na fé cristã, de “cristianismo” formal, de rejeição do sobrenatural, de profissionalismo ministerial, de inactividade na evangelização do mundo e de conformismo quanto à frieza espiritual. Ao mesmo tempo, em diferentes pontos do globo, pequenos grupos de homens e mulheres, movidos por Deus, confessando os seus pecados com arrependimento, clamavam a Deus em oração e jejum por um avivamento de busca da Palavra de Deus, de tristeza e repúdio pelo pecado – um avivamento de santidade e de derramamento de poder do alto para reavivar a igreja. Entre muitos líderes da igreja de então reacendeu a convicção de que há para o crente um baptismo no Espírito Santo subsequente à conversão como afirma Actos 1:4-5. Surgiu também, no íntimo deles, um incontido clamor pela evangelização do mundo, mediante missões estrangeiras, bem como a busca das operações sobrenaturais de Deus, como é o caso da cura divina e demais milagres, segundo as Escrituras. Já nesse tempo de sequidão espiritual, como regista a história, houve, em diferentes pontos do globo, muitos casos de cura divina e baptismo no Espírito Santo, com a manifestação de línguas estranhas.
Fonte: Mensageiro da Paz (CPAD) de Setembro de 2007